Trégua

Passadas as minhas desilusões sobre escrever poesia, minha eterna nêmesis criativa, percebo que a palavra poética não me assusta quando eu a absorvo em vez de criá-la. Ler poesia é, talvez, mais prazerososo do que o Ser Pensante de 11 anos poderia um dia imaginar, e penso que, de algum lugar distante mas também muito próximo, meu professor de português do sexto ano está sorrindo daquele jeito engraçado que adultos sorriem quando confirmam que estavam corretos em sua percepção de alguém.
Ao contrário de minha prima, que ama escrever poesia e passava horas com seu caderninho, escrevendo sonetos de amores que ela nunca viveu, não acho que um dia irei me deixar escrever uma poesia sem ser obrigada, desafiada ou arrastada por algum tipo de corrente sádica de escrita. Por isso digo que ela é minha nêmesis criativa. Minhas asas poéticas podem ser consideradas inúteis, pois com elas não voo, mas com o tempo aprendi que asas server para outras coisas que não voar. 
Posso nunca ser capitã do navio poético, mas os marinheiros são meus amigos e eu conheço suas canções.

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